sábado, julho 16, 2005

Herbáceas - I



Sanguisorba "Tanna" (Rosaceae), proveniente do viveiro de Piet Oudolf. Tem flores bastante invulgares e uma folhagem também atraente.

segunda-feira, julho 11, 2005

Business (almost) as usual

Hoje fui para o trabalho de autocarro. E voltei de metro. Londres regressa à normalidade, a seu tempo. Um muito sincero obrigado pelos comentários de apoio deixados no post anterior e pela blogosfera.

Quem puder ajudar as vítimas e suas famílias, por favor visitem o link embaixo:

London Bombings Relief Charitable Fund

sexta-feira, julho 08, 2005

Sete de Julho, 2005

Sinto-me a viver num pesadelo do qual ainda não acordei. Tudo isto aconteceu, nuns quinze ou vinte segundos depois do metro ter saido da estação de King’s Cross em direcção a Russell Square, eram 8:56 da manhã. Lembro-me do clarão, seguido de um estrondo abafado, e da carruagem ficar imediatamente cheia de fumo preto e espesso, com um cheiro a borracha queimada que tornou o ar irrespirável. O comboio parou subitamente, as luzes apagaram-se. Alguns de nós tentámos acalmar pessoas que estavam histéricas ou em pânico dizendo-lhes: “...We’ll be alright, rescue is surely on its way...” ou “... Is everybody okay?!”, outros a perguntar os nomes de quem estava mais descontrolado e a tentar meter conversa "Keep the spirits high".
Durante dois minutos pensei que não saia dali vivo. Na carruagem pouco se conseguia ver além das feições enegrecidas de outros passageiros e das luzes de segurança no exterior. Estava receoso que fosse um incêndio algures no comboio ou no túnel. O fumo não dissipava, e cada vez mais sentiamos dificuldade em respirar. Passaram-se uns dez minutos, nenhum anúncio feito pelo condutor no intercomunicador. Tentámos abrir as portas, forçando-as, mas não conseguimos. Decidimos, então, partir os vidros da porta e andar até à plataforma mais próxima. Tentaram primeiro com as chaves de casa, mas nada. Felizmente, eu por “defeito profissional” ando sempre com as tesouras de poda na mochila. Afastámos toda a gente da porta, foram-se os vidros num instante e imediatamente comecaram a sair pessoas para o túnel, evitando tocar nos carris, que estavam desligados. Dirigimo-nos a King’s Cross, tendo que entrar num túnel diferente de onde viemos por esse ser demasiado estreito, impossível de passar. Partimos mais um vidro de uma porta de outra carruagem para as pessoas sairem. Ouviam-se gritos horríveis ao longe, do lado de Russell Square. Pelo caminho, por cima dos carris, vejo uma porta de uma carruagem negra e amachucada como se fosse papel. Ouvimos alguém a dizer “This way!”, e avistamos uma luz ao fundo da curva do túnel, talvez a uns 60 metros da carruagem de onde saímos. Era uma das plataformas e vemos os primeiros funcionários Do London Underground que saltaram para a zona dos carris e nos ajudaram a subir. Alguns traziam garrafas de água e encaminharam-nos para a superfície. Pelo que me apercebi, na nossa carruagem nao houve feridos graves nem mortos, apenas uns cortes, pequenas contusões, o fumo que inalámos e pessoas em choque. Nós fomos dos que tivemos sorte. Muita sorte. Á parte dos minutos iniciais de pânico, as pessoas que conseguiam andar ajudaram-se e mantiveram-se calmas e ordenadas a sair da estação de metro para a zona de primeiros socorros na entrada de King’s Cross. Eram 9:15 quando vi o céu enevoado de Londres novamente. Toda a gente resignada com o sucedido, alguns choravam, faziam-se telefonemas, ia-se dando apoio uns aos outros.
Ligo à S. a contar o que se passava. Foi-nos dito na altura que se tinha dado uma colisão entre comboios, causada por uma quebra de tensão na rede eléctrica. Entretanto os servicos de emergência comecaram a chegar, e em Euston Road estava instalada a confusão com bombeiros, polícia, helicópteros e todos os veículos e pessoas que costumam estar ali numa manhã normal. Por volta das 9:50 toca o telemóvel: “É um ataque terrorista, rebentaram bombas noutras estações de metro do centro de Londres e num autocarro!”. A partir daí a rede deixou de funcionar. O meu choque foi-se transformando em fúria contida. Os primeiros socorros deixaram-me sair um pouco mais tarde, tenho uns arranhões minúsculos, só me disseram para beber muita água por causa do fumo. Dei os meus detalhes à polícia e tentei voltar para casa, longe do centro, e ver a minha mulher, que me consegue telefonar finalmente, e o meu filho, que já estavam à minha espera. Ao mesmo tempo, perto de Euston Square, vejo as primeiras árvores na zona, Platanus x hispanicus, e a antecipação de estar com as pessoas que mais amo e o verde fez-me por um momento sentir-me aliviado mas também agradecido e abençoado por estar vivo e ter escapado ileso.

Enquanto voltava para casa de autocarro, não conseguia parar de pensar em toda a gente que ainda estava lá em baixo no túnel, mas com esperanca que os bombeiros os tirassem de lá o mais rapidamente possivel e desejando que tivessem a mesma sorte que eu tive.

Os meus sentimentos para os familiares e amigos de todas as vítimas deste atentado.

As melhoras para todas as pessoas feridas que estão nos hospitais ou em casa a convalescer.

Um muito sincero obrigado às equipas de emergência, forças de segurança e pessoal do London Underground e GNER, fizeram um trabalho excelente.




"I say to those who planned this dreadful attack, whether they are still in London in hiding, or if they are abroad: watch next week as we bury our dead, and mourn them. But see also in these same days new people coming into this city to make it their home and call themselves Londoners, and do so for that freedom to be themselves."

Ken Livingstone

terça-feira, julho 05, 2005

Julho 2005





Depois de uma quase insolação, uma onda de calor, plantas a florir antes do momento que era suposto e algumas (saudáveis) discussões, o nosso jardim para o Hampton Court Flower Show estava pronto a ser visitado pelo público, membros e juízes da Royal Horticultural Society (RHS). Ganhámos uma medalha de prata! Estamos extasiados com o resultado, bastante respeitável para o nosso primeiro "show garden".
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